XVI
-É uma garota! – Alguém gritou na multidão.
Todos disparam seus flashes, metralhadoras impiedosas.
- Aaaaaaaaaah!
- Vocês vão matá-la seus idiotas!
- Quem liga otário? Agente só quer as fotos.
Parti para cima do imbecil e comecei a socar a face amarela dele.
Então todos entraram em guerra.
- Parem seus idiotas!
A garota estava em pânico.
Um homem grande a puxou pelas asas e a colocou nas costas.
- Você é minha!
Parti em direção do grandalhão, mas era um oceano, um mar de gente inavegável.
O homem grande cruzou a rua
O homem grande a colocou num carro.
A garota estava desacordada.
Suas asas deixavam um rastro de tristeza.
Pude ouvir as sirenes da policia se aproximando em uníssono.
Só então me dei conta do que havia acontecido nas ultimas horas.
Corri mas não pude alcançá-los.
Então um carro subiu a ladeira, rasgando as trevas com faróis altos.
- É melhor subir logo se não quiser ser pego.
Startakos.
Subi no carro.
Saímos em disparada, um belo Cadillac dourado.
- No porta luvas! Abra.
Uma arma.
- Acha que consegue acertar os pneus?
- Não sei... Nunca atirei na vida.
- Quer dirigir?
- Não... Eu atiro.
Mirei bem. Não estava pronto.
Um disparo.
Nada!
Outro.
Bateu na lataria deixando um buraco.
- Minha avó atira melhor com esse trabuco do que você. Vamos! Concentre-se nos pneus!
Fechei meus olhos, o mundo ao meu redor, como um liquidificador silencioso.
Puxei o gatilho.
Estourei a porra da lanterna traseira.
-Me dá essa merda.
Startakos puxou a arma da minha mão com muita raiva e ela acidentalmente disparou acertando seu braço esquerdo.
- Aaaaaaaaaaah!
-Não solte a porra do volante Star!
- Você me acertou seu filho da puta!
-A culpa é toda sua. Bicha!
- Pegue o volante! Eu atiro!
Estiquei meu braço e segurei o volante com firmeza. O braço de Star sangrava muito. O sangue tinha manchado todo o pára-brisa, ele suava, e o sangue escorria era impossível enxergar a estrada. Então ele se pendurou na janela e mandou três disparos certeiros no velho wolkswagen branco.
O motorista misterioso abriu a porta do carro ainda movimento, e naquele instante eu sabia o que ele iria fazer.
Ele jogou a garota pela porta afora a uma velocidade de 80.
- A garota!
Puxei o volante o mais rápido que pude.
Desviado o carro pro acostamento. Quase passamos por cima dela.
- Será que está morta?
- Não sei...
Descemos do carro e fomos direção ao anjo. Era linda mesmo quase morta. Era bela e estava coberta de sangue.
Naquele momento eu prometi a mim mesmo que cuidaria dela pra sempre.
Suas asas quebradas, suas feridas expostas. Vingaria de toda fúria do mundo aquele que seu mal desejasse.
- Está viva.
Viva.
- Ela vai ficar bem.
Colocamos a garota no carro e dirigimos a noite inteira.
- Eu conheço um médico, não é longe daqui. Preciso de um trago.
Tirou uma garrafa de Vodka do porta luvas e virou no gargalo.
Chegamos à casa do médico.
Startakos tocava a campainha freneticamente.
- Vamos seu puto abra essa porta!
Um senhor abriu a porta. Rosto vermelho.
- Oh meu Deus! Seu filho da puta, você está sangrando!
Tirei a garota do carro.
Os olhos dela tremiam. Febre alta.
O Médico.
- Ela vai ficar bem.
- Faça o que puder velho.
Startakos me perguntou.
- Conseguiu as fotos?
- Acho que sim. Pouco importa, ele está morto.
- Agente se vê no escritório amanhã
- Ok. Mas e a garota?
- Não sei... Você a libertou. Deve existir uma razão. Você tem que assumir as responsabilidades.
- Star...
- Sim?
- Quem é o velho?... O médico?
- Meu pai.

*-*
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