Vinte e três horas e vinte três minutos. Eu estou de frente a aquela janela de elétrons de novo. Espero alguém aparecer na tela, alguém pra conversar. Nada.
As horas passam solitárias na promessa do século XXI.
Quando a TV já não podia, a internet tomou o grande pódio da escravidão dos sentidos. Chega a ser engraçado.
Anos atrás eram precisos milhares de dólares e grandes produções para entreter e alienar as pessoas, mantê-las presas na frente das suas janelas de elétrons.
Não era uma tarefa fácil e até hoje não é. Só que a grande diferença do século, é que hoje nós mesmos fazemos todo esse trabalho. E ainda pagamos para isso.
Estamos todos esperando. Uns esperando os outros em frente a essas janelas de elétrons. Mas ninguém chama, talvez porque ninguém quer ser o primeiro a fazer o contato.
Estamos todos presos a essa janela porque somos incompletos. Solitários.
Vinte três e cinqüenta e nove.
Meus olhos fecharam por instantes descansando a retina daquela janela. Então eu escuto uma campainha.
Recebi um e-mail, não tinha remetente.
Você foi convidado a participar de uma experiência única.
Mais spam...
Então pude ouvir uma voz...
- Tempo... A maior preocupação em você é o tempo. A partir da consciência de que você o tem, a grande incógnita é o que fazer com ele. Assim como tudo que te pertence, o tempo também te tem e ele sabe bem disso. O que fazer com o dinheiro? O que vai fazer da sua vida?
Eu devia estar louco.
Foi quando puxei o computador da tomada, e ele não desligou.
Aquela janela de elétrons estava viva em minha frente e ela sabia mais do que ninguém quem eu era. O teclado deslizou como uma serpente e caiu sobre minhas mãos.
No monitor uma mensagem.
Aceito os termos e condições.
Em uma caixa tinha o sim, e na outra o sim também. Muitas escolhas.
Eu não podia controlar minha mente então eu cliquei na caixa. Sim.
E foi assim que tudo começou.

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