Acordei com o sol na cara e peguei o rumo da estrada. Voltei ao centro da cidade.
Entre os prédios e as estruturas metálicas. Um paraíso de cinza de concreto e válvulas. Um inferno frio. Caminhei até chegar num prédio onde li numa placa.
Precisa-se de fotografo.
Precisava de um emprego, olhei numa vitrine e então me vi refletido.
Uma aparência horrível.
Precisava de roupas novas. Precisava de um banho.
Voltei até a pousada, Lar Doce Lar.
- Não tem pão velho. – Respondeu a senhoria e fechou a porta na minha cara.
Parei a porta com o pé e me apressei em dizer.
- Não lembra de mim dona?! Me hospedei aqui uma semana atrás.
- Sim agora me lembro... Você é o maluco que quebrou minha mobília. – Fechou a cara e voltou a bater a porta. Parei a porta com o pé outra vez.
- Quer parar de fazer isso com o pé?!
- Eu fui assaltado senhora, só preciso de umas roupas emprestadas. Tenho uma entrevista de emprego hoje e...
- Pro inferno você, garoto! Sai daqui se não eu chamo a policia!
Fechou a porta. Bateu a cara, voltou a fechar a porta e desta vez eu nem tinha colocado o pé.
Não teve jeito...
Olhei por cima do muro e vi algumas roupas estiradas no varal. Pensei. Vou roubar.
Pulei o muro peguei uma camisa, uma calça, uma cueca, meias, tudo que tinha direito, então pude ouvir a senhoria gritando:
- Ladrão!
Corri com tudo o que podia e me joguei por cima do muro.
Eu tinha roupas.
As coisas começavam a dar certo para mim. Tomei banho no rio. Roubei o sabão, mas não tinha toalha. Então fiquei secando pelado no sol.
Limpei meus sapatos e me preparei para a entrevista de emprego.
Tudo corria dentro do plano.

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