Saí do bar, tentei segui-lo. Atravessou a praça e entrou num beco. Assim que percebeu que eu o estava seguindo ele disse:
- Melhor parar de me seguir, cara.
- Ok.
Então ele se foi, estranho como sempre.
Precisava de um lugar pra dormir. Caminhei horas pelas ruas até chegar num ferro velho abandonado. Passei por um buraco na cerca e encontrei um velho Opala.
Eu entrei pela janela e deitei no banco de trás. Cheirava mofo e mijo de gato e aquário, mas parecia um bom lugar pra ficar.
No sonho eu estava sozinho num parque de diversões. Tudo era preto e branco.
Então eu via Ana me acenando da roda gigante. Feliz.
- Ei, Vermelho sou eu, Ana!
O parque estava cheio.
Estava feliz em vê-la tão contente. Eu acenava com as duas mãos enquanto ela me mandava beijos no vento.
- Ela vai ficar bem. – ouvi uma voz ao meu ouvido.
Era Laura. Linda como sempre. Usava um vestido preto, como naqueles filmes antigos de faroeste. Todos no parque usavam roupas estranhas. Paletós, chapéus, bengalas e relógios de bolso. Até eu tinha um.
- Onde nós estamos...?
-Estamos dentro de uma fotografia. Coloquei todos eles aqui.
Eu olhei ao redor e pude ver Alex com seus pés de porco. Se preparava para acertar o alvo. Ele equilibrava uma marreta pesada no ar, estava sorrindo.
Era estranho, estavam todos tão contentes. Talvez o inferno não fosse um lugar tão ruim, pensei.
- Tirei as almas deles do inferno e as coloquei aqui. Era o mínimo que eu poderia fazer. Eram inocentes.
Pude ver Stu no carrossel feliz da vida como se fosse uma criança de novo.
- Matou toda essa gente? – Tive que perguntar, o parque estava cheio de almas.
- Não, Vermelho. A maioria já estava na fotografia. Ela foi tirada em 1915 pelo meu avô.
- Avô?
- Meu avô me levava ao parque todos os domingos quando eu era criança.
A cidade tinha se tornado maligna.
-Criei essa dimensão. Um lugar só meu... Como nos sonhos. E agora ele parece ter vida de novo.
- Foi uma boa idéia traze-los aqui Laura.
- É acho que foi sim.

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